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O apanhador de desperdícios

Uma série que fala sobre as "pequenezas" que aprendi a observar...

Essa série é uma ode ao simples. Uma homenagem à contemplação da vida.

Uma vez uma amiga falou algo, não sei se em tom de sarcasmo ou de elogio, mas que me fez pensar nisso. Ela disse assim: "Deve ser lindo ver o mundo pelos seus olhos". Ela comentou isso em uma foto que fiz de um monte de cobertores vermelhos enrolados e que na minha visão era rosas, um grande mar de rosas.

E foi então que me dei conta do quanto sou encantado pelas coisas, do quanto realmente via beleza nas coisas simples que aos olhos dos outros eram "desimportantes". E foi aí que fiz a conexão com a poesia do Manoel, que tanto me influenciou, não sei se o ovo vem primeiro que a galinha e se minha admiração pelo Manoel me fez sensível às "pequenezas" ou se minha sensibilidade me fez admirador do Manoel de barros, mas como diria o Chicó: "Não sei, só sei que foi assim".

O nome dessa série é baseada num poema homônimo do Manoel de Barros, um poeta que se intitulava um observador das pequenezas.

Na correria do dia a dia e com o excesso de informação que temos, deixamos de prestar atenção às pequenas coisas que nos cercam. A imagem passou a ter tanta importância que foi ficando erudita e intelectualizada.

Essa série não tem uma grande ideia por trás, não tem um grande conceito. Toda ela é baseada na grandeza das coisas pequenas, das coisas simples, das coisas "desimportantes". Mas é na simplicidade que encontro felicidade. É no contemplar das coisas singelas que abro um sorriso e esqueço do mundo...

 

O apanhador de desperdícios - Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

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