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Medo do ridículo

O medo do ridículo

Sem medo de ser ridículo

O medo do ridículo impede que sejamos nós mesmos. Impede a criação espontânea, aquela que vem do coração. Um medo que nos foi imposto por uma sociedade saturada de conceitos baseados em aparências, em ser melhor, mais bonito, mais legal, mais confiante. Uma sociedade que te diz que se não for bom irão te julgar e criticar.

A prática da fotografia é um pouco controversa, estamos por trás das lentes e não somos o foco. Mas para mim, que era tímido, às vezes sentia que eu era o foco principal, parecia que estava todo mundo me olhando, ali com aquela câmera na mão se posicionando perto pra fotografar. Eu criava mil motivos para não me aproximar ou não tentar fazer uma foto. A pessoa vai se incomodar, ela vai reclamar, fará alguma hostilidade ou coisa assim. Eu tinha muito medo de ser repreendido. Medo de aparecer para não me colocar em alguma situação desconfortável. Eu tinha muito medo do julgamento. Ainda trabalho isso, mas eu tinha medo, um medo que me paralisava, que não me deixava ir pra frente.

Mas agora é diferente, eu tenho consciência do quão ridículo é esse medo na minha concepção, e a cada vez que tenho que enfrentar alguma situação de medo do ridículo, esse medo fica um pouco mais ridículo e menor.

O trabalho terapêutico que fiz com o Tantra me fez encarar muitos dos meus medos e me fez perceber que eles eram ridículos. Mas eu falo dos meus medos, não dos seus. Os seus medos não são ridículos. E a cada um desses medos que ia enfrentando eu percebia que poderia lidar com todos eles. Entendia que era simples e que não doía nada.

Meus estudos sobre a Tantra, Osho, Bioenergética, Reich e diversos outros nessa linha me fizeram enxergar a vida de outra maneira. Hoje olho para minhas dificuldades, para meus comportamentos, meus bloqueios e minhas reações com outros olhares. Eu sei que tudo aqui é ou foi assim, porque era importante que assim o fosse. Foi uma defesa que criei para de defender da minha percepção das coisas do mundo e dos perigos ao meu redor. E se não fossem essas defesas que criei, talvez não estivesse aqui pra contar essa história. Então passei a olhar com essa consciência e comecei aprender a lidar com os meus medos.

A timidez é espécie de medo de se expor, medo do julgamento, medo de ser ridículo.

Mas eu falei apenas de mim e porque? Porque você é um caso diferente, você teve outra vida, passou por outras coisas e isso fez de você quem você é. E cada um é um universo muito particular.

Tem uma frase que eu falo que juro que não sei se inventei ou se ouvi. Eu já até procurei, mas não encontrei referência. A frase é assim: “fotografo o que vejo e o que vejo depende daquilo que sou”. Então se eu sou tímido, minhas imagens geralmente serão tímidas.

É claro que existem diversos ramos da fotografia na qual isso não importa. Você pode fotografar paisagens, pode fotografar coisas abstratas e em diversas outras áreas da fotografia isso não será necessário. Mas se pretende trabalhar com pessoas, seria interessante ressignificar sua timidez.

Mas olha, ser tímido, não é um problema, não é um defeito. É uma característica e ponto. Aceite e tenha consciência, que isso tende a mudar.

Quando fotografamos pessoas, quando fotografamos eventos, temos que lidar com nossa timidez, com nosso medo de se expôr, de ser julgado, avaliado, condenado.

Nossas imagens sempre transparecem quem somos. Se você tem receio de se aproximar, suas imagens serão distantes.

Veja mais do que escrevo no blog.

Conhece meu trabalho de ensaios? Dá uma olhada no projeto clicando aqui.

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